domingo, 5 de abril de 2009

Diário de bordo, com Felipe Cruz


Ao fim da Dutra

Rio de Janeiro, a cidade que verdadeiramente é Maravilhosa abre suas portas e mostra toda sua beleza

Os aventureiros, Emerson Nunes, Felipe Cruz e Felipe Franco, pegam a estrada e deslumbram a cidade de duas caras.

Há três meses, os jovens aventureiros combinaram essa viagem, o Rio de Janeiro era a cidade preferida para se conhecer. A partir do primeiro momento após escolhermos a data, o pensamento já voava alto, imaginando em tudo o que iria acontecer naquela cidade.
Esperamos muito, mas passou rápido, pois o dia 09/01/2009, chegou. Durante o dia, a ansiedade gritava alto, as horas pareciam não passar, a cada minuto olhava para as malas, fechava os olhos, e pensava que faltava pouco para partirmos. As cinco e meia da tarde, nos encontramos no determinado lugar, guardamos as malas, fizemos um checape no automóvel e fomos rumo a estrada.
Exatamente ás oito e vinte da noite, chegamos a Via Dutra, ficamos muito felizes, pois sabia-se que ao fim dessa estrada seria nosso destino.
Deixamos São Paulo, pouco antes da meia-noite, pois nem percebemos que havíamos deixado nossa terra, a conversa era tão boa, as músicas tocadas ao som, nos embalavam com muitas gargalhadas, todos queriam aproveitar todos os minutos da viagem.
Três paradas foram feitas, uma que me lembro foi na cidade de Roseira, que fica localizado no Vale Médio do Paraíba.
O município de Roseira está localizado no vale médio Paraíba, entre as serras do Quebra-Cangalha e Mantiqueira.
Município de Roseira
O povoado que deu origem ao município de Roseira surgiu por volta de 1750, na margem do caminho real que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro.
No período entre 1770 e 1840, a região foi ocupada por grandes engenhos de cana-de-açúcar e mais tarde, com a introdução da cultura do café, tornou-se importante produtora. Com o declínio dessa atividade, os proprietários rurais dedicaram-se à pecuária leiteira e à cultura do arroz.
Em 1877, quando foi inaugurada a Estrada de Ferro D. Pedro II e construída a Estação de Roseira, o povoado foi transferido para o local atual.
Em 30 de novembro de 1944, foi criado o distrito no município de Aparecida e, somente em 18 de fevereiro de 1959, foi elevada a município.
Chegamos lá, paramos em um shopping para uma leve refeição, eu e Felipe preferimos uma lasanha, enquanto Emerson saboreou uma deliciosa macarronada da cidade. Após a refeição, compramos algumas lembrancinhas em uma loja que encantava pelos artigos engraçados, voltamos a estrada, pois a fome já havia ido embora, mas os 400 km ainda nos esperava.
Durante quase toda o percurso, o sono parecia não chegar, mas a ansiedade cada vez mais ficava perto.
Exatamente, ás 03:00h da manhã do dia 10/01/2009, chegamos ao estado do Rio de Janeiro, os nervos estavam a flor da pele, pois o que mais esperamos, chegou. Fomos diretamente para o hotel que gostaria-mos de ficar hospedados, só que estava lotado, uma rua cheia de hotéis, só que nenhum vazio, ou era muito caro.
Andando pelas ruas do Botafogo, avistei um morro, então perguntei ao Emerson, qual era aquele, ele me disse, Morro de dona Marta, logo veio na lembrança o Livro Abusado, soldado do Morro dona Marta, que tinha lido há poucos meses.
E fomos para o hotel Ibis, onde cada um ficou em um quarto, um hotel luxuoso e muito orgazinado. Quando entrei no meu, logo pulei na cama, parecia criança quando ganha um doce,
a calmaria, o silêncio a volta do hotel, não eram características da cidade maravilhosa durante a noite, pois nenhuma “alma” passava nas ruas. O calor era insuportável, sorte que nos quartos haviam ar-condicionado.
Já passava das 4:00h, quando decidimos sair do hotel, fomos andar pela cidade vazia, com poucos vagando pelas calçadas. A primeira impressão que tive das ruas do bairro de Botafogo, foi de pobreza, medo e insegurança dos que moram lá.
Fomos direto para o Arco da Lapa, um lindo monumento, que recepcionava muitas pessoas, entre moradores e turistas, a diversidade era grande, pessoas de todas as idades, sexos, e estilos, pois negros, brancos, índios, loiros, curtiam os diversos sons dos bares ao redor do local. Após muitas voltas pelo arco, fomos embora, pois o dia já raiava, um lindo amanhecer, pois o cristo e o Pão de Açúcar já eram vistos. De volta ao hotel, tomei um banho, e tirei um cochilo de 2 horas, levantei ás 09:00, chamei o Felipe e o Emerson para irmos as lindas praias que nos esperavam, o sol era forte, 36ºC já esquentava a cidade. Tomamos um reforçado café em uma lanchonete que haviam muitas pessoas engraçadas e humildes, onde puxamos conversa querendo saber um pouco mais dos pontos turísticos da cidade.
Fomos para a praia de ônibus, deslumbrando as diversas paisagens das ruas do Rio de Janeiro. Chegamos ao Leblon, tiramos muitas fotos, andamos no calçadão, tomamos água de cocô, e mergulhamos nas águas geladas das parias, Ipanema, Copacabana e Leme. Paramos para um lanche, pois saco vazio não para em pé. Saboreamos deliciosas esfinhas em uma lanchonete, tomamos um taxi, e nos dirigimos para umas das sete maravilhas do mundo, o cristo redentor de braços abertos nos esperava, o taxista, muito gentil, nos contou todas as suas aventuras na cidade maravilhosa, durante seus vinte anos no Rio. Ele, descendente de russo, veio ao Brasil ainda jovem, morou em São Paulo por muito tempo, e aqui conheceu uma carioca, que te levou para acidade do samba, se casaram, e ali vivem até hoje.
Chegamos ao cristo, as pessoas que estavam aos pés da sétima maravilha eram de várias partes do planeta, turistas de todos os cantos.
O que mais vimos foram pessoas de braços abertos e olhando para o alto, registrando os belos momentos, como as
Lindas paisagens, os mais diversos pontos turísticos do Rio de Janeiro, como, Maracanã, Marquês de Sapucaí e a maravilhosas praias eram vistas a olho nu, tudo registrado pelas máquinas fotográficas. Ficamos lá, por uma hora, descemos e fomos diretamente para o taxi, que já nos aguardava, assim como combinado.
Meyer, o nosso taxista, nos mostrou diversas ruas, avenidas, monumentos que ainda não conhecia-mos, foi muito divertido e emocionante, a minha alegria estava nos olhos e no sentimento, não só eu mas também dos meus amigos.
Voltamos ao hotel, cansados e com fome, combinamos de irmos para a escola de samba Acadêmicos do Salgueiro ás 23:00h. Descansei bastante no quarto do hotel, tomei um delicioso banho, e deitei na espaçosa cama de casal, dormimos muito, quando acordei, olhei para TV ainda ligada, a impressão era que, já se passavam das 3:00 da manhã, mas não, eram, 0:10h, ainda cedo, então acordei meus amigos, tomamos um rápido banho, e corremos para o samba. Chegando lá, na rua do Salgueiro, que mais parecia a rua da minha querida Leandro de Itaquera, notei a diferença das escolas de samba do Rio com as de São Paulo, pois elas, possuem mais estrutura, as pessoas valorizam mais, muita gente bonita, feliz e empolgada, prestigiavam a festa.
A quadra quase não tinha mais espaço para caminhar, a bateria nota 40 de mestre Marcão, arrepiava e dava show com sua bela rainha Viviane Araújo, que após o ensaio nos concedeu uma fotografia e uma conversa. Após ficarmos um bom tempo com os componentes sentindo o calor daquela comunidade maravilhosa, nos dirigimos á área VIP, onde a assessora de imprensa da escola e sua presidente Regina Duran nos aguardavam. Ficamos por toda noite no camarote, apreciando o empolgado ensaio, tomamos muito refrigerante, energético, e outras bebidas que nos eram servidos.
O nosso amigo Emerson, não resistiu, e comprou uma linda camiseta da escola, nas cores Branco, vermelho e Preta, destacando o enredo do carnaval 2009. Já se passavam das 5:00h da manhã e ninguém arredava o pé daquele ensaio maravilhoso, notei, que carioca tem mesmo samba no pé e na alma, eles fazem deste grande evento seu habitat natural. Fomos embora, agradecemos a presidência e a assessoria da escola pelo convite, e demos parabéns pelo ótimo ensaio, que para sempre vai ficar em nossa memória, e se Deus quiser, muitas vezes vamos pisar ali.
O hotel novamente nos aguardava, para mais algumas poucas horas de sono, pois dormir pouco por lá não nos cansava, pois a emoção de estar naquela cidade fazia com que ficasse-mos ligadões durante 24 horas, dos 3 dias de viagem.
Eram 6:30h da manhã e estava-mos no saguão do Hotel, conversando, dando muita risada, e tomando um gostoso café, eu chocolate lógico.
Subimos cada um para o seu quarto, dormimos até as 10:00h, fizemos nossas malas, foi um momento triste, pois eu não parava de olhar para aquele quarto de hotel e lembrava as horas felizes que passei ali, vai ficar para história com certeza. Era nosso último dia, precisava-mos aproveitar, fizemos nossa saída no hotel, pagamos as pendências, colocamos as malas no carro do Emerson, e fomos direto para o Bondinho, que liga o Pão de Açúcar em suas duas partes, enfrentamos uma pequena fila, a ansiedade era grande, mas o medo já dava sinais de presença, pois morro de medo de altura, mas, por incrível que pareça, não fiquei com medo, e sim admirei a linda cidade maravilhosa do alto. O Pão de Açúcar é sensacional, muitas lojas vendendo muitas lembranças de cartões postais da cidade que eram muito caros.
O Rio de Janeiro, é uma cidade 80% turística, a sua imagem que é mostrada ao mundo, com belas praias, mulheres bonitas, o carnaval sensacional, e os belos pontos turísticos, fez o estado tornar-se um cartão-postal brasileiro.
Voltamos para o carro, antes, fizemos um leve refeição, com deliciosos salgados e muito suco natural, tiramos uma soneca no carro, batemos um papo, muita risada rolava, eram 17:00h, fomos para o lugar que mais esperava-mos, Marquês de Sapucaí, um lugar onde sonhava em conhecer, enfim, meu sonho estava realizado, era verdadeiramente como pensava, quando chegamos ainda poucas pessoas estavam por lá, mas, muita empolgação nos bares e barracões de escola de samba ao redor da avenida.
A noite ia caindo, e o público ia chegando, ao todo, por toda anoite, 50 mil pessoas, lotaram as arquibancadas, se somarmos os componentes da Caprichosos de Pilares, da Grande Rio da minha querida Beija-Flor, quase 70 mil estavam por lá, colorindo a maravilhosa festa. Os ensaios técnicos do das escolas de samba do Rio de Janeiro não são diferentes dos de São Paulo, a festa é contagiante, bem mais aproveitoso que o desfile, que é rápido, estressante, e alegria dura 1 hora. Todas as três agremiações, que se apresentaram, deram show, em especial a Beija-Flor, que na minha percepção já é campeã 2009 do carnaval carioca.
As pessoas que lá frequentam as escolas de samba, cantam com garra, evoluem com alegria, fazem de um ensaio de escola de samba uma verdadeira peça teatral, é impressionante o orgulho de cada componente em estar entrando na avenida junto com a sua escola querida, as mulatas e passistas de lá com muito samba no pé, mostram garra. Muitos artistas e famosos, também apareceram , afinal o carnaval carioca é mesmo um grande espetáculo, mas São Paulo não fica para trás, pois estamos investindo para que também o mundo aprecie nosso carnaval.
Após os ensaios, pisamos na pista da Sapucaí, a emoção foi grande, pois percorremos os 700 metros da passarela, junto é claro com a minha Beija-Flor.
O cantor Dudu Nobre, e a bateria da escola de Samba Portela, animava o público que dali não arredava o pé, pois era uma noite maravilhosa, mas afinal, precisava-mos partir, São Paulo, já nos chamava, a saudade da minha terra já apertava o coração, então entramos no carro, fizemos os últimos ajustes, e pegamos a estrada.
A cidade que canta, samba e encanta, se despediu de nós, aos poucos o cristo redentor que era visto lá do alto, foi sumindo em meio as nuvens, aí, somente a lua, nos guiou, desde lá, até São Paulo, me ajudou a relembrar os momentos incríveis que da minha memória não irão se apagar. Valeu a pena, valeu o esforço, valeu o cansaço, valeu tudo, foi demais, que o Rio de Janeiro nos espere muitas e muitas vezes, Emerson Felipe Franco, muito obrigado pela companhia, pois se não fossem vocês, essa história não seria contada.
Felipe Cruz

2 comentários:

rodrigotom_gen disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
rodrigotom_gen disse...

Fê, não terminei de ler ainda, parei no taxiste Meyer, mas já gostei muito, é como se eu estivesse junto com vocês na viagem... E como eu queria ter viajado com vocês.

Parabéns, você escreve muito bem.

Édipo, Thais, Felipe, Cíntia a Débora.

Édipo, Thais, Felipe, Cíntia a Débora.
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